Casos de hepatite Delta acendem o alerta da saúde no Amazonas 

A hepatite Delta (HDV) tem preocupado pesquisadores da Fiocruz e autoridades de saúde em comunidades ribeirinhas no sul do Amazonas. Em junho, uma equipe do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Rondônia e profissionais de saúde de Lábrea (AM) visitaram as comunidades ribeirinhas de Várzea Grande e Acimã, no rio Purus. Entre 2007 e 2024, aproximadamente 1,4 mil casos de Hepatite Delta foram notificados em Lábrea, segundo a Fiocruz. Destes, 140 pacientes seguem em acompanhamento, conforme o Centro de Testagem Rápida e Aconselhamento da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa-Lábrea). 

A hepatite Delta é causada pelo vírus D da hepatite, um RNA subvírus pequeno, esférico e incompleto, que precisa do antígeno de superfície HBsAg para se replicar, sendo o causador da hepatite D ou Delta. Ela está associada à presença do vírus B da hepatite (HBV) para causar a infecção e inflamação das células do fígado. Existem duas formas de infecção pelo HDV: coinfecção simultânea com o HBV e superinfecção pelo HDV em um indivíduo com infecção crônica pelo HBV. A hepatite D crônica é considerada a forma mais grave de hepatite viral crônica, com progressão mais rápida para cirrose e um risco aumentado para descompensação, carcinoma hepatocelular (CHC) e morte. 

A doença pode demorar a apresentar sintomas e, quando aparecem, os mais frequentes são: cansaço, tontura, enjoo, vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. A transmissão pode acontecer por relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada; da mãe infectada para o filho durante a gestação e parto; pelo compartilhamento de material para uso de drogas, como seringas, agulhas, cachimbos; compartilhamento de materiais de higiene pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam; na confecção de tatuagem e colocação de piercings, procedimentos odontológicos ou cirúrgicos que não atendam as normas de biossegurança, entre outras formas de contágio. 

O diagnóstico da hepatite delta é feito através da detecção de anticorpos anti-HDV no sangue do paciente. No entanto, a infraestrutura limitada de saúde no interior do Amazonas dificulta o acesso a esses testes diagnósticos. Muitas vezes, os pacientes só descobrem a coinfecção em estágios avançados da doença, quando as opções de tratamento são mais limitadas. Segundo o Ministério da Saúde, a principal forma de prevenção é a vacina contra hepatite B. 

Saiba mais: Ministério da Saúde vai realizar testagem inédita da hepatite D na região Norte


Texto produzido pelo Observatório BR-319 com informações da Fiocruz, da Agência Brasil e do Ministério da Saúde. 

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