Manejo pesqueiro do povo Paumari ganha prêmio nacional 

O manejo sustentável de pirarucu feito pelo povo Paumari, do Amazonas, foi uma das vinte iniciativas premiadas na 12ª edição do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, realizada em Brasília (DF). Entre 1.112 inscritas, essa prática se destacou nas áreas de alimentação, educação, energia, renda, habitação, meio ambiente, água e saúde, sendo reconhecida com recursos financeiros para projetos futuros. 

Certificado desde 2015 pela Fundação Banco do Brasil, o manejo pesqueiro dos Paumari concorreu pela primeira vez ao prêmio na categoria “Tecnologias Sociais Certificadas em Edições Anteriores”. O processo de seleção incluiu uma apresentação para avaliadores e uma votação popular. Segundo Felipe Rossoni, indigenista da Operação Amazônia Nativa (Opan), “este prêmio é o reconhecimento do trabalho realizado pelo povo Paumari nos últimos 15 anos”.  

Barara Abimael, manejador e coordenador do projeto, representou os Paumari na cerimônia. Ele ressaltou a importância da atividade além do aspecto comercial, destacando os benefícios ambientais e sociais. “Pelo manejo nos unimos, cuidamos do nosso território e protegemos o pirarucu”, disse ele em pamoari athini, a língua dos Paumari.  

Felipe Rossoni acrescentou que “os povos indígenas da Amazônia têm muito a nos ensinar com suas tecnologias”. Das 20 iniciativas premiadas, a dos Paumari foi a única indígena.  

Barara e Felipe receberam o troféu do presidente da Fundação Banco do Brasil, Kleytton Morais, com Barara saudando o esforço coletivo de seu povo. O manejo sustentável de pirarucu, apoiado pela Opan, tem sido essencial para a estruturação da atividade e recuperação dos estoques de peixes no rio Tapauá e nas Terras Indígenas (TI) Lago Manissuã, Lago Paricá e Cuniuá, na área de influência da BR-319. 

Com o sucesso, outras comunidades ribeirinhas e povos indígenas, como os do Vale do Javari, buscam o apoio dos Paumari para implementar sistemas de manejo semelhantes. O prêmio permitirá expandir a experiência para a comunidade ribeirinha Nazaré e fortalecer a participação feminina através de intercâmbios entre mulheres indígenas dos Paumari, Deni e mulheres do Médio Juruá. As atividades estão previstas para 2025. 

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