Observatório BR-319 apresenta nota técnica sobre expansão de ramais em municípios ao sul da rodovia

Em cinco anos, abertura de ramais na área de influência da BR-319 cresceu quase o dobro do tamanho da rodovia. A conclusão está na nota técnica “Abertura e expansão de ramais em quatro municípios sob influência da rodovia BR-319”, publicada pelo OBR-319 em maio, e apresentada na reunião de Governança do Trecho do Meio em 03 de junho. Segundo a coordenadora da publicação, Paula Guarido, um dos reflexos mais preocupantes da situação é o aumento da pressão em Áreas Protegidas na área de influência da rodovia.
“Cinquenta e cinco por cento dos ramais mapeados nos municípios analisados estão dentro de florestas públicas não destinadas, totalizando 2.609 quilômetros”, destacou Paula. “Dentre as categorias fundiárias, Imóveis Privados, foi a que concentrou a maior parte dos ramais mapeados em Canutama, Humaitá e Tapauá”, acrescentou. “Já em Manicoré, a maior parte dos ramais estão em Terras Indígenas, na região de influência do distrito de Santo Antônio do Matupi”, disse durante a apresentação.
O diretor da WCS Brasil, Carlos Durigan, destacou que é necessário agir com urgência para combater a expansão de ocupações criminosas e ilegais de terras públicas. “Nós estamos vendo que simplesmente as coisas estão acontecendo, temos inclusive ramais ilegais, sem nenhum tipo de licença ou legalidade, sendo abertos em Áreas Protegidas, ou áreas públicas. Abrindo caminho para a destruição de boa parte da Amazônia, pois esse processo afeta de maneira negativa a região”, disse.
O OBR-319 identificou o acréscimo de 1.108 quilômetros (km) na rede de ramais localizada na área de influência direta da BR-319 entre 2016 e 2021 nos municípios de Canutama, Humaitá, Manicoré e Tapauá, no sul do Amazonas. As informações completas estão na nota técnica. Como resposta aos dados do estudo, o titular da Secretaria de Apoio ao Licenciamento Ambiental e à Desapropriação, Alex Garcia, disse que, no mês de julho, existia a previsão de realização de uma vistoria pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
